domingo, 27 de setembro de 2009

LEGISLATIVAS 2009

Vamos todos ingressar na escola de padrecas do Francisco Louçã? Não vamos.
A CDU assumiu-se como última força política, contudo levou a cabo uma campanha extremamemte conscienciosa e coerente, reforçando a sua posição nas regiões de Lisboa, Setúbal e Alentejo. Este reforço levou a que a Coligação não perdesse nenhum dos seus deputados no Parlamento, sendo que evitou que os votos residentes nestas três regiôes usualmente afectas à CDU se difundissem pelo PS e pelo Bloco de Esquerda.
Já agora, queria só dizer uma coisinha: Sr. Louçã, convido-o a ser Primeiro-Ministro para logo a seguir ser apedrejada no Islão. De propósito. Percebeu a dica?
AMÉN

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

RECLAMAÇÃO

PRIMEIRA PESSOA
- Desculpe, bom dia. Quero apresentar uma reclamação porque estou farto de estar na fila à espera! Isto é calamitoso... Um caos!
FUNCIONÁRIA PÚBLICA
- Para apresentar reclamação tem de tirar uma senha.
PRIMEIRA PESSOA
- O quêêê?!?!?!?!?!?!
FUNCIONÁRIA PÚBLICA
- Sim, sim. Para apresentar reclamação tem de aguardar até ao seu número de senha...
PRIMEIRA PESSOA
- Isto é inadmissível! (e mais outros grunhidos que ninguém conseguiu perceber)
A PRIMEIRA PESSOA conforma-se e dirige-se à máquina das senhas. Regressa com o número 83, quando o painel luminoso indicava o número 81. Aguarda a sua vez e, quando o agraciado número 83 surge, a PRIMEIRA PESSOA dirige-se ao balcão.
PRIMEIRA PESSOA
-Menina, já aqui está o número, quero apresentar a reclamação.
FUNCIONÁRIA PÚBLICA
- Deixe ver... O seu número de série (esse numerozinho antes do 83) é o seis. E ainda estamos na série quatro.
PRIMEIRA PESSOA
- Apresento mas é tantas reclamações como o número de minutos que aqui estiver à espera!!! (nervos, irritação, irritância, comichãozinha, impressão)
FUNCIONÁRIA PÚBLICA
- Ordens são ordens. Para apresentar reclamação tem de esperar.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Que Gripe É Esta?


Hoje, eu e um grupo de amigas, no contexto do ambiente conspirador de pandemias em que nos encontramos, resolvemos ir a uma farmácia comprar máscaras que, supostamente, nos protegeriam do vírus da gripe A. Chegadas à farmácia inventámos uma história para nós tão sobrenatural, mas da qual não nos desmanchámos a rir nem por um momento: na sexta-feira seguinte iríamos embarcar num voo para a República Dominicana e, pelo que o continente americano está em eminente perigo de pandemia, queríamos precaver-nos.
A farmacêutica (que vi sentir-se orgulhosa pelo sentido de responsabilidade de tão jovens mulheres), que nos alertou de imediato para o facto de não ter conhecimento se as máscaras estavam esgotadas ou não, chegou minutos depois com uma caixa de máscaras contra as alergias derivadas do pó. Pó, poeira das obras, pó do candeeiro, da mesa-de-cabeceira, da estante lá de casa. PÓ. A forma com que fazem os portugueses defender-se contra a gripe A - epidemia em progressão - é a solução utilizada por donas-de-casa com comichão nos narizes. Provavelmente, estas estarão até mais imunes à doença do que qualquer outra pessoa.
Não foi suficiente o fabrico e o lançamento do vírus da estirpe para o exterior, não foi suficiente o "acidente" que tantas outras vezes ocorreu por parte dos laboratórios dependentes dos grandes monopólios da indústria farmacêutica, não bastam os milhões de milhões que estes monopólios têm vindo a ganhar com o "acidente" que tão desastrosamente matou já setecentas pessoas em todo o mundo. É indispensável, ainda, fazer cada pessoa gastar cento e cinquenta escudos numa máscara, a qual as protegerá significativamente. Porquê? Porque as empresas de máscaras anti pós e poeiras começam, incessantemente, a aliar-se às grandes companhias acima citadas. Tudo pelo bem comum.
Que azar, este "acidente"! O que motiva as farmacêuticas não são, de forma alguma, as mortes, mas sim as vidas engripadas que lhes oferecem mais milhões e milhões. Ocasionalmente, lembram-se de berrar que os culpados deste fulminante "acidente" são os suínos que, em calhando, nunca saíram da suinicultura em Alcoentre para viajar até ao México.
Entretanto, o resultado: dezenas, arriscaria a contar uma centena de pessoas, parou tudo o que estava a fazer para olhar, para ver que bichos eram aqueles que entravam de máscaras anti-poeira numa zona comercial, "definitivamente devido à falta de asseio destes sítios, Manel!".

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Monstro de Estado (definição)

Monstro de Estado, s. m.
A espécie "monstro de Estado" surge em meados dos anos 80 como membro do IX Governo Contitucional pós-25 de Abril. Quem diria? Ninguém. Após desempenhar uma série de cargos (ou serão tachos?) como Secretário de Estado, este monstro oriundo das profundezas da corrupção portuguesa é um exemplar entre tantos outros da sua espécie. Usualmente, este monstro desempenha - de forma inútil - cargos como ministro, conseguindo, desta forma, difundir o terror em toda a população (o seu objectivo premente).
Ainda mais frequentemente, o monstro (que todos pensávamos ser fruto do imaginário comum) abandona o cargo de Obras Públicas, se a ele tem acesso, após a queda de pontes, revelando, por conseguinte, a sua rudeza e incapacidade de resolução de problemas tão típica no ser humano e que o monstro não alcançou.
Posteriormente à sua demissão, o monstro de Estado tem, a priori, vista em grandes empresas tais como o grupo Mota Engil, as quais este tanto favoreceu enquanto ministro e que lhe proporcionarão aquilo que alimenta o seu corpo: dinheiro. Dinheiro em grandes, enormes, esmagadoras quantidades, a única forma de conseguir crescer. A sua estada no Governo foi o que possibilitou a sua alimentação regrada e sempre farta. À custa do nada que fez e do muito que comeu das mãos dos contribuintes, este exemplar consegue, por fim, descansar, sem precisar de mais se preocupar.
Adicionalmente, este modelo deixa ainda transparecer o seu fingido apego às teorias socialistas, o qual utiliza como arma fatal para se alimentar e negará sempre a sua própria natureza, bem como aquilo de que os humanos o acusam.
Enfim, se algum espécimen com estas características se aproximar das vossas autarquias, Governo ou Parlamento sejam cautelosos. Para melhor os alertar, leitores, deixo-lhes algumas imagens desta amostra tão peculiar.



Amostra Tipo 1



Amostra Tipo 2

terça-feira, 30 de junho de 2009

"O Chico Voltou!"

"O Chico voltou!". Ouviam-se, por toda a terra, gritos de contentamento de mulheres e homens, novos e velhos. O Chico voltara e o seu regresso foi para mim um sinal: o meu marido estava bem. Fora recrutado para a Guiné, enquanto que o Chico voltara de Angola, e os gritos de toda a gente forçaram-me a crer que nada de mau lhe acontecera. Vivia angustiada ia já fazer um ano, três meses e uma semana e a vinda do Chico mudou-me.
Não falava com ele, não podia falar com ele. O filho da puta do regime dera início a batalhas sangrentas, que não eram uma luta dos portugueses, mas uma casmurrice do Governo. As notícias chegavam fazendo o povo acreditar que a culpa estava no outro lado e que desse lado queriam roubar-nos as terras e fazer-nos perder a honra.
Quem voltava, embora estivesse proíbido de contar a realidade do Ultramar, levantava o pano, a pouco e pouco: mortes e mortes e mortes e mortes, mortes frias e a frio nas quais ninguém, NINGUÉM, reconhecia a sua culpa numa guerra que começara perdida. Vivos enterrados, cadáveres por toda a parte. Era assim que eles contavam.
Os soldados que partiam de Portugal estavam condenados a trinta meses de serviço, trinta longos meses que, se a mim me agoniavam, aos condenados os consumiam por dentro, mesmo depois de estes voltarem.
Nunca falei com o Chico e soube por ele que fiquei viúva.

Salvem o Darfur


O Sudão é um país africano com sólidos recursos naturais, como o algodão e a cana-de-açúcar, com os quais facilmente conseguiria uma posição de país economicamente desenvolvido. No entanto, o Sudão vê as suas potencialidades perderem-se quando se depara com um dos maiores pesadelos do mundo contemporâneo: o genocídio.
Os conflitos armados são realidades cada vez mais frequentes e no Sudão afectam mais intensamente a região do Darfur. O Darfur localiza-se no Oeste sudanês e faz fronteira com o Chade. Desde 2003 que os serenos ritmos destas aldeias se desvaneceram. As Janjawid – milícias outrora criadas pelo governo sudanês para combater o movimento rebelde – atormentam agora a vida das populações: vêm a cavalo, a camelo ou de camião e, com armas automáticas, matam indiscriminadamente, violam mulheres e destroem, a cada investida, 90% das habitações das aldeias.
Apesar das diversas negociações, os governantes preferem o seu bem-estar à sobrevivência do seu povo. Enquanto isto, o sofrimento chegou já ao Chade, ganhando a mesma forma aterrorizadora.
Segundo os Direitos Humanos ou a consciência de qualquer pessoa eticamente sã, matar e torturar quem quer que seja é o pior de todos os actos. Por outro lado, aceitar que alguém o faça não é ser tão ou mais criminoso? Esta deveria ser a questão a colocar aos que detêm o poder no Sudão, visto que passa pelos governantes pôr termo a estes crimes em cadeia. Não obstante, preferem acomodar-se, vendo centenas de mulheres, homens e crianças morrer todos os dias, vítimas dos mais bárbaros atentados à integridade humana.
Para além dos impetuosos homicídios, a violação é também uma constante: meninas de oito anos são ferozmente abusadas e este trauma acompanhá-las-á, certamente, para o resto das suas vidas.
As maiores revoluções do mundo começaram com minorias e terminaram arrastando multidões. Até ao momento foram já criados alguns movimentos de ajuda humanitária; contudo, a ajuda ao Darfur nunca irá ser demasiada.Em conclusão, o genocídio na África Oriental é um problema da civilização actual, para o qual fechar os olhos é alargar a dimensão da catástrofe. São seres humanos os mártires do quotidiano e, já que Deus dorme quando não deve, assumamos o compromisso universal e inadiável de salvar o Darfur.

E ver-te

E ver-te descer a avenida. O andar ardente, o cabelo na brisa das manhãs da Estiva. Sete da manhã. Airoso... com o ar de quem acabara de sair da banheira mesmo vestido - chovia imenso.
Adivinhava, ao longe, o cheiro do véu de névoa que te cobria e que era nenhum. Estancaste a algum meio metro do sítio onde estava. Assustei-me. Então sorriste e correste para mim. E tocar-te e sentir-te e beijar-te e tocar-te outra e outra vez. Sentir que, afinal, após tanto tempo continuamos os mesmos, no mesmo lugar. "Acabou", dizias. E cada lágrima que na cara me escorria nesse momento compensava a tristeza de uma eternidade escondida.
Queria mostrar-te tudo, mas já não sabia nada. E então o tempo passava e eu beijava-te (e podia fazê-lo!) e tocava-te e amava-te. Ao fim de tantos anos... Liberdade.

Ao Padre

Lugar do Senhor do Monte, 9 de Fevereiro de 1964
Estimado Padre,
Escrevo-lhe no dia de hoje, pois ilustrei esta missa de Domingo com o seu exemplo, a partir deste lugarejo que nunca viu o mar, perdido na serra. O país atravessa uma situação de crise e opressão que, progressivamente, se agudiza e que tem o seu mais degradado reflexo nos territórios coloniais. Desde 1961, perpetua-se, nas colónias, um violento ciclo de mortandade: pretos e brancos, lutando por lados diferentes, acabam morrendo, qual jogo de dominó.
Os brancos, Padre, que se acham invencíveis e com direitos superiores e os negros oprimidos, que se organizam em guerrilhas, morrem, afinal, como Deus os trouxe à Terra: todos iguais. Os brancos, em favor do Império, lutam pelos interesses que os senhores do dinheiro têm em África; os pretos pela terra que é sua e que, outrora, lhes fora extorquida pela ganância dos brancos.
Neste quadro, venho revelar-lhe, Padre, que a sua convicção inabalável e a sua arte de pregar me trazem uma alegria e esperança sempre vivas de que, um dia, todos veremos o Próximo como alguém igual a nós. Desejo, incessantemente, tirar das garras colonizadoras estas minorias africanas. Certo dia, reflectindo, conclui que, quando o Padre conseguiu um novo estatuto para os índios do Maranhão, quem os explorava eram os portugueses e que, agora, uma sangrenta guerra se trava no Ultramar, devido ao domínio forçado que os portugueses novamente exercem sobre outro território. Onde estão os portugueses que, em tempos remotos, lutaram pela liberdade dos mais fracos? Pois para além de estarmos já oprimidos pela figura do presidente do Conselho e pela polícia política na metrópole, isso não nos bastou e deliberámos continuar com a ocupação colonial.
Aquando dos tempos do Seminário, muito li sobre a sua vida e, sobretudo, sobre a sua obra, Padre. Agora, padre de profissão que sou, compreendo o quão úteis seriam a sua presença e acção para me auxiliar na limpeza da perfídia das almas neste país. Utopia? Talvez. Contudo, a grandiosa nação que é o Brasil em boa parte o deve a si, Padre. A si, que nasce sob a égide do signo Aquário, em Fevereiro de 1608, na bela cidade de Lisboa, louvo-lhe a coragem com que enfrentou a sua própria nação, em favor da abolição da escravatura no Brasil.
No estreito armário da Sacristia (o qual vejo como a minha biblioteca) descobri que, durante a sua estada em Roma (entre 1669 e 1675) pregava em Italiano. O povo entendia-o da mesma forma, Padre? A expressão que obteve dos rostos italianos diferia da dos rostos portugueses? Ou as exaltações, hesitações e ponderações da sua pregação estão dependentes da língua em que prega? A questão, Padre, passa pelo facto de, a partir deste lugar, a força das palavras que profiro ser vã. Quando prego, as palavras parecem abater-se sob os montes, deixando as missas mudas ao vento.
Hoje, quando o sino deu as nove da manhã e todos se acomodaram nos bancos da igreja, comecei por relatar o episódio da investida holandesa em São Salvador da Baía em 1624, na sequência da qual o senhor se refugiou no sertão, despertando aí o seu espírito de missão. A este relato acrescentei os seus conhecimentos em Lógica, Metafísica, Matemática e Retórica, para que o povo aprenda que os desejos de igualdade e justiça social não são, de todo, ideais dos mais modestos. A história dos índios brasileiros foi suficiente para que as setenta e três pessoas pertencentes a esta paróquia despertassem para as atrocidades cometidas na Guiné, em Angola e em Moçambique e para a situação calamitosa em que estas regiões se encontram. Ali, todas as mulheres tinham, pelo menos, um dos seus filhos a combater no Ultramar. Olhei em volta e foi então que desci as escadas do púlpito, como o Padre de lá se retirou com destino ao sertão. Prossegui a pregação, já junto daqueles perto dos quais não se justifica a presença do púlpito e, reduzindo o tom de voz, perguntei ao meu pequeno, mas honesto público: “O que nos distingue a nós, Portugueses, dos nativos angolanos?”, ao que o Zé Ferreiro respondeu imediata e timidamente: “Ora, a cor da pele. Eles são pretos e nós somos brancos.”. Era esta resposta que pretendia obter para o citar a si, Imperador da Língua Portuguesa. Respondi, então: «“A causa da cor da pele é o sol. As nações, umas são mais brancas, outras são mais pretas, porque umas estão mais vizinhas, outras mais remotas do Sol”. Padre António Vieira, Sermão da Epifania, 1662».
O público começou a abandonar a igreja e, curiosamente, só as mães dos jovens que estavam no Ultramar permaneceram, fitando-me intensamente. Apesar dos olhares atentos que encontrava, estava plenamente consciente de que a projecção que este auditório daria às ideias anti-colonialistas era nula e de que não sairia das paredes desta Igreja. Aliás, estas mulheres assemelhavam-se, de certa maneira, aos peixes a que Santo António pregara, visto que os homens não o queriam ouvir: escutavam, sem responder. Este episódio serve de base ao seu Sermão de Santo António aos Peixes, pregado em São Luís do Maranhão em 1654. Agora, Padre, os homens dizem não precisar da fé. Quem estará, neste momento, mais corrompido? O sal ou a terra? Nos nossos dias, já nem o sal salga, nem a terra se deixa salgar.
Escrevo-lhe da prisão, Padre, para onde a polícia do regime me trouxe, após ter tomado conhecimento do discurso desta manhã. Todavia, sinto ainda uma felicidade imensa: o som da minha voz ultrapassou, finalmente, o relevo acidentado dos montes.


Com os melhores agradecimentos e cumprimentos,
Padre António Cerdeira.




(Pintura a óleo de Lucy Launer, “Fish”)


segunda-feira, 29 de junho de 2009

Culturas da Terra


Desde pequenino que gostava de aprender a ler, para compreender melhor as coisas ou as palavras no jornal que todos os dias lá tem o Jacinto. Há dias em que venho da terra e que, por esta não me esgotar como é costume, quero sentar-me como os outros e não posso, porque pensam que não tenho nada para dizer.
Talvez por isso sempre tenha gostado tanto da rádio: é como se de qualquer outro lado alguém se dirija exclusivamente a mim, se interesse por aquilo que penso. Por não saber ler vejo, todos os dias, os meus pensamentos rejeitados, apagados. Mas mesmo assim, há aqueles que fingem saber ler perfeitamente como o Rui e que, por isso, toda a gente os ouve.
Cresci a trabalhar, a ter de trabalhar para comer e nunca fui à escola. Nem podia. Nunca casei ou tive filhos e os meus pais morreram cedo. A família é daqui, todos moramos perto, mas tentamos distanciar-nos, de forma constante. Quando nos morrem os pais deixamos de ter família. E nunca aprendi a ler. A mim bastava-me saber ler... Já nem digo assinar, mas só saber ler, só para saber.
A cada dia, o sol faz-me exausto e a terra atrai-me de maneira a que não seja capaz de largá-la. Mas eu gosto e a cada sol e a cada primavera estou mais velho. E este burro velho vai perdendo chances.
Como deve ser evidente não fui eu a escrever isto, mas fui eu a pensá-lo e a ditá-lo e já estou velho para aprender a ler.

Tempo de Silêncio

A Amélia não conseguiu. Não consinto em saber por que razão esta tragédia aconteceu, até porque não é relevante. Vivemos longe de tudo durante quantos anos? Três, quatro? Por aí.
Neste momento, resto sozinha num espaço que partilhava com Amélia e que nunca foi nosso. Quando ela cá estava era diferente, pois apesar de este não ser sequer o seu verdadeiro nome, desabafávamos mentirosamente para que as paredes nos não ouvissem. E quando estas deixavam de ser surdas invadiam aquele espaço e, desconfiadas, acreditavam em nós.
Daí que as verdades tenham sido ditas na rua, ao passar dos automóveis e das pessoas, de homens e mulheres que, também eles, ansiavam por verdade. Aqui, as paredes não podiam ouvir-nos e tudo era menos terrível. Como pode ser possível? Como pôde sê-lo?
A vida da minha Amélia, de quem nunca soube o nome, foi calada por três paredes, às duas e vinte e cinco da manhã, num dia em que a "morte saiu à rua", como diria o Carlos.
Antónia

Não Era Bem Isto...

Nunca quis ter feito isto. Nunca percebi muito deste mundo da Internet e nem quero perceber. Porém, talvez esta seja a única solução de mostrar o nada, o pouco ou o muito que faço. Isto para que se perceba que o meu objectivo não é isto, nem é este, nem nunca foi. Mas provavelmente agora é, ou não sei, porque não percebo do mundo da Internet nem dessas coisas. Nem quero perceber. Não era bem isto que queria.
Nunca se deve dizer nunca.