terça-feira, 30 de junho de 2009

E ver-te

E ver-te descer a avenida. O andar ardente, o cabelo na brisa das manhãs da Estiva. Sete da manhã. Airoso... com o ar de quem acabara de sair da banheira mesmo vestido - chovia imenso.
Adivinhava, ao longe, o cheiro do véu de névoa que te cobria e que era nenhum. Estancaste a algum meio metro do sítio onde estava. Assustei-me. Então sorriste e correste para mim. E tocar-te e sentir-te e beijar-te e tocar-te outra e outra vez. Sentir que, afinal, após tanto tempo continuamos os mesmos, no mesmo lugar. "Acabou", dizias. E cada lágrima que na cara me escorria nesse momento compensava a tristeza de uma eternidade escondida.
Queria mostrar-te tudo, mas já não sabia nada. E então o tempo passava e eu beijava-te (e podia fazê-lo!) e tocava-te e amava-te. Ao fim de tantos anos... Liberdade.

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