
Hoje, eu e um grupo de amigas, no contexto do ambiente conspirador de pandemias em que nos encontramos, resolvemos ir a uma farmácia comprar máscaras que, supostamente, nos protegeriam do vírus da gripe A. Chegadas à farmácia inventámos uma história para nós tão sobrenatural, mas da qual não nos desmanchámos a rir nem por um momento: na sexta-feira seguinte iríamos embarcar num voo para a República Dominicana e, pelo que o continente americano está em eminente perigo de pandemia, queríamos precaver-nos.
A farmacêutica (que vi sentir-se orgulhosa pelo sentido de responsabilidade de tão jovens mulheres), que nos alertou de imediato para o facto de não ter conhecimento se as máscaras estavam esgotadas ou não, chegou minutos depois com uma caixa de máscaras contra as alergias derivadas do pó. Pó, poeira das obras, pó do candeeiro, da mesa-de-cabeceira, da estante lá de casa. PÓ. A forma com que fazem os portugueses defender-se contra a gripe A - epidemia em progressão - é a solução utilizada por donas-de-casa com comichão nos narizes. Provavelmente, estas estarão até mais imunes à doença do que qualquer outra pessoa.
Não foi suficiente o fabrico e o lançamento do vírus da estirpe para o exterior, não foi suficiente o "acidente" que tantas outras vezes ocorreu por parte dos laboratórios dependentes dos grandes monopólios da indústria farmacêutica, não bastam os milhões de milhões que estes monopólios têm vindo a ganhar com o "acidente" que tão desastrosamente matou já setecentas pessoas em todo o mundo. É indispensável, ainda, fazer cada pessoa gastar cento e cinquenta escudos numa máscara, a qual as protegerá significativamente. Porquê? Porque as empresas de máscaras anti pós e poeiras começam, incessantemente, a aliar-se às grandes companhias acima citadas. Tudo pelo bem comum.
Que azar, este "acidente"! O que motiva as farmacêuticas não são, de forma alguma, as mortes, mas sim as vidas engripadas que lhes oferecem mais milhões e milhões. Ocasionalmente, lembram-se de berrar que os culpados deste fulminante "acidente" são os suínos que, em calhando, nunca saíram da suinicultura em Alcoentre para viajar até ao México.
Entretanto, o resultado: dezenas, arriscaria a contar uma centena de pessoas, parou tudo o que estava a fazer para olhar, para ver que bichos eram aqueles que entravam de máscaras anti-poeira numa zona comercial, "definitivamente devido à falta de asseio destes sítios, Manel!".

